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Notícias Congresso CLZ 2021

Novos negócios e empregos gerados pela gestão de resíduos em Brasília

Evitar o lixo pode ser um negócio lucrativo. Além do benefício para o meio ambiente, a geração de emprego e renda são alguns dos impactos do movimento Lixo Zero

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À medida que avança o trabalho de conscientização das comunidades pela redução do lixo despejado no meio ambiente, empreendedores veem uma oportunidade de aliar o cuidado com a natureza aos negócios. Empresas criadas a partir da perspectiva da sustentabilidade exploram um mercado cheio de possibilidades, abrangendo comércio, condomínios, blocos residenciais, indústrias e cooperativas.  

Nesta ideia, nasceu a CH4 Bio, empresa que recolhe e trata resíduos orgânicos do comércio, condomínios e de pontos de coleta domiciliar – o volume chegou a cerca de uma tonelada por dia antes da pandemia; e coleta de podas de árvores. 

A depender do volume de serviços contratados, a equipe chega a quatro pessoas por projeto. “É um segmento muito bom. Tem espaço para crescer e muito. Não só a gestão do orgânico, mas de todo tipo de resíduos. No Brasil, tem pouco e, praticamente, não tem em Brasília”, Junnio Gomes, responsável pela empresa. 

Para que o modelo alavanque, Gomes ressalta a importância da separação de materiais. “A coleta seletiva é crucial para quem trabalha com reciclagem.” 

Outro modelo de parceria é com as cooperativas, que dão a destinação aos resíduos sólidos separados. A Associação Recicla Mais Brasil vislumbrou uma oportunidade de garantir a renda de 38 famílias do Distrito Federal. Os catadores da Associação têm uma renda mensal média entre um salário mínimo e um salário e meio. 

Em 2017, eram apenas quatro catadores individuais. Com o objetivo de tornar a reciclagem um negócio, eles desenvolveram um projeto que envolve parcerias com empresas, condomínios e governo para recolher, tratar, reciclar e educar as comunidades para a responsabilidade ambiental. 

Hoje, a Associação tem contrato com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Movimento Comunitário do Jardim Botânico, Rede Alternativa, Condomínio Ouro Vermelho, Cooperativa do Projeto Condomínio Verde e com o Condomínio Belvedere Green. Os associados atuam também no Paranoá e Itapoã.

São 69 catadores associados, que atendem quase sete mil pessoas nos condomínios, além da população atendida nos bairros. Todo o valor proveniente dos contratos é revertido em salários e educação ambiental.  

 

Comércio “Lixo Zero” 

Ponto de encontro entre a indústria e consumidor, o comércio tem responsabilidades como o elo da economia circular. O segmento tem cobrança crescente por um posicionamento diante dos temas de impacto na sociedade. “O comércio tem grande impacto local, porque os mercados são nas esquinas, as lojas estão no centro da cidade e todos são geradores de resíduos”, pontua o presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, Rodrigo Sabatini. 

Sabatini explica que a responsabilidade ambiental atesta a qualidade e eficiência de um fornecedor, mas vai além. “responsabilidade para com o consumidor e com o consumo – daí todas as vantagens de estar associado aos conceitos que o consumidor acha necessário. É a responsabilidade com a localidade”, declara Sabatini.   

Com esse raciocínio, donos de restaurantes criaram o Instituto Ecozinha. Sob a liderança do sócio do Dona Lenha, Paulo Mello, a rede, que alcançou cerca 100 estabelecimentos de alimentação de Brasília, promove a coleta seletiva em quatro tipos: orgânico, que é compostado; vidro, que volta a ser matéria prima; materiais recicláveis e rejeito, que está baixo de 10%. 

O Instituto Eco Cozinha é o maior movimento de bares e restaurantes Zero Waste do Brasil, com a meta de bem utilizar, pelo menos, 90% dos resíduos sólidos gerados. O objetivo é fomentar a economia circular por meio do alimento, incluindo parcerias com todos os setores da reciclagem.

“Tem crescido muito a consciência dos consumidores, mesmo ainda não sendo um fator determinante. As vantagens são seguir o caminho da sustentabilidade ambiental e social e, dependendo das escolhas, também econômicas, visto que encaminhar tudo ao aterro tem um alto custo”, declara Paulo Mello. 

 

Movimento Lixo Zero Brasil

O movimento pela redução ou eliminação completa dos resíduos se fortaleceu em 2010, no país, com a criação do Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB). É uma organização da sociedade civil autônoma, sem fins lucrativos, que representa o Brasil na ZWIA – Zero Waste International Alliance - reunião de organizações que desenvolvem o conceito e princípios Lixo Zero no Mundo. 

O presidente do ILZB, Rodrigo Sabatini explica que, atualmente, para cada real gasto no Brasil com o lixo, deixa-se de produzir o triplo com a matéria desperdiçada. “É como se eu desse para você três reais e pagasse um real para você aterrar esse dinheiro. Isso gera um emprego: o seu”, explica. “Se eu inverter e disser: não vou te pagar para enterrar, mas vou aproveitar esses três reais para produzir, eu vou economizar o seu pagamento, fazer render os três reais e ainda gerar, em média, 70 empregos”, complementa. 

O Instituto tem uma série de ações que incentivam as empresas à redução na produção de resíduos. Entre elas, a academia Lixo Zero, que promove a capacitação de pessoas, a Certificação Lixo Zero, que estabelece uma meta de redução em 98%, prêmio Lixo Zero, encontros, seminários, congressos e fóruns regionais, estaduais e municipais – envolvendo poder público, terceiro setor, empresas, academia e sociedade civil na busca de soluções para a eliminação do lixo.  

Congresso Internacional Cidades Lixo Zero – Nos dias 22, 23 e 24 de junho, o Instituto Lixo Zero Brasil promoverá o II Congresso Internacional Cidades Lixo Zero. O evento ocorrerá em Brasília, no Museu da República, e terá transmissão online, gratuita. Primeiro do mundo dedicado ao conceito Lixo Zero com foco em cidades e municipalidades.  O CICLZ tem como objetivo disseminar o conceito Lixo Zero e unir os integrantes da sociedade (gestores públicos, gestores de instituições, empresários, educadores e cidadãos,) para que juntos, consigamos acelerar a nossa organização social e a nossa estrutura econômica para atingir a meta Lixo Zero.

Dados da edição anterior – Na primeira edição, em 2018, o Congresso Internacional Lixo Zero reuniu mais de 3.500 pessoas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Foram cerca de 120 horas de capacitação, 100 palestras e 300 convidados, com 26 representantes de 16 países. Na internet, o evento engajou mais de 10 mil pessoas. Somente no Twitter, foram registradas 75 mil citações sobre o Congresso entre maio e junho, média de 1.800 por dia.